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Luís Carmo Luís Carmo

Luís Carmo

46 anos


A calma como segredo para o sucesso

Faz das palavras profissão e, de todas elas, relativizar pode ser a que melhor define como decidiu viver com psoríase. Luís é produtor de conteúdos num meio de comunicação nacional, percebe a azáfama do dia a dia numa redação e gere o stress de deadlines e do multitasking.

Sabe, também, pela força da experiência, que “são os picos de trabalho” um dos fatores desencadeadores de uma crise de psoríase. E é, por isso, a imagem da calma. Porque sabe que é a melhor forma de a controlar.

Quando remonta ao diagnóstico, Luís recorda-se de que foi “uma única mancha, no tornozelo”, que o levou ao dermatologista. É um dos casos em que a especialidade certa lhe permitiu um diagnóstico rápido e, consequentemente, um tratamento imediato.

Ao contrário de outros pacientes, reagiu com normalidade ao diagnóstico, ainda que surpreendido: “Porque não conhecia nada, só conhecia a doença de nome…”. Continua, passados 15 anos, a encarar a psoríase como um acontecimento que não poderia contornar e que, por isso, não o incomoda.

A verdade é que há doenças muito piores e muito mais graves do que esta, esta não passa e não cura, pelo menos por enquanto, mas também não se pega
A verdade é que há doenças muito piores e muito mais graves do que esta, esta não passa e não cura, pelo menos por enquanto, mas também não se pega

Luís tem a consciência, que lhe vai pautando o discurso, de que há casos mais graves de psoríase do que o seu, e é por isso que o relativiza: “É preciso ter em atenção que há graus muito diferentes de psoríase.” No seu caso, escolhe não ter vergonha e opta por não esconder a doença, continuando a fazer todas as atividades que lhe dão prazer: vai à praia sem complexos, joga hóquei e partilha o balneário com outros jogadores, e nunca evita uma explicação sobre o significado das lesões que tem no corpo. Não se recorda de uma única situação em que tenha sido abordado por terceiros de forma invasiva.

A única interação é até bastante recente, veio da sua própria casa, e Luís relata-a com a graça e o carinho que apenas se dedica às crianças. A filha, de 5 anos, questionou a mulher do porquê de “o pai ter manchas no corpo”, que nem ela, nem a irmã e a mãe têm: “Tivemos de lhe explicar. Ossos do ofício!”

Não tenho problemas nenhuns com isso, mas gostava mais de não ter…
Não tenho problemas nenhuns com isso, mas gostava mais de não ter…

A associação do stress do trabalho aos picos da doença é uma constante no discurso do produtor de conteúdos, que descreve uma psoríase “muito ativa” nestas ocasiões. Aí, assume, não gosta do que vê quando se olha ao espelho: “Não sei se fico incomodado, se fico triste… mas gostava de não ter.” O tempo ensinou-o, também, a lidar com estes picos e a tentar minimizá-los: “Se for à praia com regularidade, apanhar bastante sol e aproveitar as férias, o stress diminui e as manchas também.”

Neste processo, estar informado e em contacto permanente com o dermatologista é crucial para se gerirem sintomas e expectativas. Luís conta com uma prima, também diagnosticada com psoríase, para o alertar sobre alternativas e novas terapêuticas, ainda que, sublinha, este seja um processo mediado sempre com o especialista. Ao longo dos anos, “fez-se um caminho”, que começou com pomadas, passou para espumas e, agora, está nas injeções biológicas. Sente que os vários tratamentos “vão perdendo o efeito”, e pretende, na próxima consulta, explorar novas terapêuticas. “Mas é sempre um processo”, resume.

Não se dá grande ênfase à psoríase
Não se dá grande ênfase à psoríase

Para o produtor de conteúdos, a forma como se encara a psoríase em Portugal ainda é muito direcionada como “uma doença de pele”, não se dando uma visão mais abrangente da doença. Acredita que tal acontece porque “é uma doença que dá para controlar”, mas não se esquece de destacar os casos mais severos da psoríase, nos quais, acredita, a parte emocional fica mais melindrada.

Neste processo, mais uma vez, Luís acredita que tentar relativizar e encarar a casualidade da doença poderá ajudar. A principal mensagem que quer passar é para que os doentes psoriáticos “não se importem com o que os outros pensam”, e que não se tentem esconder, evitando os prazeres da vida que fazem bem à mente e, por inerência, reduzem as lesões. Já para todos os que, no dia a dia, veem a doença e não sabem como reagir, Luís considera que o mais necessário é desconstruir alguns mitos: “Isto não se pega a ninguém, ninguém tem culpa de a ter, e pode acontecer a qualquer um, por isso não é preciso olhar de lado!”

Por enquanto não tem cura, mas pode vir a ter um dia, não é?
As coisas são o que são!
Por enquanto não tem cura, mas pode vir a ter um dia, não é?
As coisas são o que são!

Ver na Pele

A psoríase vê-se. Mas como é que se sente? Como é que lidam os familiares, os amigos, a sociedade? Helena, Maria Luísa, David, Rita, Luís e Anabela inspiram-nos com os seus testemunhos, em conversas francas e descontraídas.